Fonte: Wikipédia
Economia (do grego: οικονομία oikosnomos, “regras da casa”) (também chamada de ciência económica (português europeu) ou ciência econômica (português brasileiro)) é a ciência que consiste na análise da produção, distribuição e consumo de bens e serviços. Portanto, a economia é o estudo das escolhas dos indivíduos e do que possibilita a compatibilidade nas escolhas de todos. Esta ciência social estuda a atividade económica, através da aplicação da teoria económica, tendo, na gestão, a sua aplicabilidade prática.
Os modelos e técnicas atualmente usados em economia evoluíram da economia política do final do século XIX, derivado da vontade de usar métodos mais empíricos à semelhança das ciências naturais. Pode representar, em sentido lato, a situação económica de um país ou região; isto é, a sua situação conjuntural (relativamente aos ciclos da economia) ou estrutural.
A economia é, geralmente, dividida em dois grandes ramos: a microeconomia, que estuda os comportamentos individuais, e a macroeconomia, que estuda o resultado agregado dos vários comportamentos individuais. Atualmente, a economia aplica o seu corpo de conhecimento para análise e gestão dos mais variados tipos de organizações humanas (entidades públicas, empresas privadas, cooperativas, etc.) e domínios (internacional, finanças, desenvolvimento dos países, ambiente, mercado de trabalho, cultura, agricultura, etc.).
Outras formas de divisão da disciplina são: a distinção entre economia positiva (“o que é”, que tenta explicar o comportamento ou fenômeno econômico observado) e economia normativa (“o que deveria ser”, frequentemente relacionado com políticas públicas); a distinção entre economia ortodoxa, aquela que lida com o nexo “racionalidade-individualismo-equilíbrio”, e a economia heterodoxa, que pode ser definida por um nexo “instituições-história-estrutura social”.
O termo e suas várias definições
Várias definições modernas da ‘ciência econômica’ foram propostas, algumas refletem visões em evolução do assunto ou visões diferentes entre economistas, incluindo a definição de ‘economia’ como “o que os economistas fazem”.
O termo anterior para a ‘ciência econômica’ era ‘economia’ política. Ele é adaptado do uso mercantilista francês de économie politique, que estendeu a economia do termo grego antigo para gerenciamento de domicílio ao domínio nacional como administração pública dos assuntos de estado. Sir James Steuart (1767) escreveu o primeiro livro em inglês com ‘economia política’ no título, explicando-a como tal:
A economia em geral [é] a arte de suprir todas as necessidades de uma família, [portanto, a ciência da economia política] procura garantir um certo fundo de subsistência para todos os habitantes, evitar todas as circunstâncias que possam torná-lo precário; fornecer tudo o que é necessário para suprir as necessidades da sociedade e empregar os habitantes … de maneira a criar naturalmente relações e dependências recíprocas entre eles, de modo a suprir uns aos outros as necessidades recíprocas.
A página de rosto dava como tema “população, agricultura, comércio, indústria, dinheiro, moedas, juros, circulação, bancos, câmbio, crédito público e impostos”. O filósofo Adam Smith (1776) define o assunto como “uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações”, em particular como:
um ramo da ciência de um estadista ou legislador [com o duplo objetivo de fornecer] uma receita ou subsistência abundante para o povo … [e] fornecer ao estado ou à comunidade uma receita para os serviços públicos.
Jean-Baptiste Say (1803), distinguindo o assunto de seus usos em políticas públicas, define-o como a ciência da produção, distribuição e consumo de riqueza. No lado satírico, Thomas Carlyle (1849) cunhou “a triste ciência” ou ciência sombria (“the dismal science”) como um epíteto da economia clássica, nesse contexto, comumente ligado à análise pessimista de Malthus (1798). John Stuart Mill (1844) define o assunto em um contexto social como:
A ciência que traça as leis desses fenômenos da sociedade que surgem das operações combinadas da humanidade para a produção de riqueza, na medida em que esses fenômenos não são modificados pela busca de qualquer outro objeto.
A mudança do nível social para o individual aparece nas principais obras da Revolução Marginal. A definição de Carl Menger reflete o foco no homem economizante:
Pois a teoria econômica está preocupada, não com regras práticas para a atividade econômica, mas com as condições sob as quais os homens se envolvem em atividades providentes direcionadas à satisfação de suas necessidades.
William Stanley Jevons, outro autor muito influente da Revolução Marginal, define a economia destacando os aspectos hedônicos e quantitativos da ciência:
Neste trabalho, tentei tratar a Economia como um Cálculo de Prazer e Dor e esbocei, quase independentemente das opiniões anteriores, a forma que a ciência, como me parece, deve finalmente assumir. Há muito tempo penso que, ao lidar com quantidades, deve ser uma ciência matemática em matéria, se não em linguagem.
A disciplina foi renomeada no final do século XIX, principalmente devido a Alfred Marshall, na língua inglesa de “economia política” para “econômica” (economics) como um termo mais curto para “ciência econômica”. Naquela época, tornou-se mais aberta ao pensamento rigoroso e fez uso crescente da matemática, o que ajudou a apoiar os esforços para que ela fosse aceita como ciência e como uma disciplina separada fora da ciência política e de outras ciências sociais. Alfred Marshall fornece uma definição ainda amplamente citada em seu livro Princípios de Economia (1890), que estende a análise além da riqueza e do nível social ao microeconômico, criando uma certa síntese das opiniões daqueles ainda mais solidários à economia política clássica (com foco na riqueza social) e aos primeiros a adotar as opiniões expressas na Revolução Marginal (com foco nas necessidades individuais). A inclusão de Marshall da expressão bem-estar também foi muito significativa para a discussão sobre a natureza da economia:
Economia política ou Economics (Ciência Econômica) é um estudo da humanidade nos negócios comuns da vida; examina a parte da ação individual e social que está mais intimamente ligada à conquista e ao uso dos requisitos materiais do bem-estar. Assim, é por um lado um estudo da riqueza; e, por outro lado, e mais importante, parte do estudo do homem.
Lionel Robbins (1932) desenvolveu implicações do que foi denominado “talvez a definição atual mais comumente aceita do assunto”:
A economia é uma ciência que estuda o comportamento humano como uma relação entre fins e meios escassos que têm usos alternativos.
Robbins descreve a definição como não classificatória em “escolher certos tipos de comportamento”, mas sim analítica em “focar a atenção em um aspecto particular do comportamento, a forma imposta pela influência da escassez”.
Alguns comentários subsequentes criticaram a definição como excessivamente ampla ao não limitar seu assunto à análise de mercados. A partir da década de 1960, no entanto, esses comentários foram reduzidos à medida que a teoria econômica de maximizar o comportamento e a modelagem da escolha racional expandiram o domínio do assunto para áreas previamente tratadas em outros campos. Também existem outras críticas, como a escassez não levando em conta a macroeconomia do alto desemprego.
Gary Becker, colaborador da expansão da economia em novas áreas, descreve a abordagem que ele favorece como “combinando as suposições de se maximizar o comportamento, as preferências estáveis e o equilíbrio do mercado, usadas de forma implacável e inflexível”. Um comentário caracteriza a observação como fazendo da economia uma abordagem, e não um assunto, mas com grande especificidade quanto ao “processo de escolha e ao tipo de interação social que [tal] análise envolve”.
John Neville Keynes considerava a discussão que antecedeu a definição de economia mais importante do que a própria definição. Seria uma maneira de revelar o escopo, a direção e os problemas que a ciência enfrenta.
Uma revisão recente das definições de economia inclui uma variedade daquelas em livros didáticos de princípios, tal como descrições do assunto como o estudo de:
a ‘economia’ (como atividade econômica);
o processo de coordenação;
os efeitos da escassez;
a ciência da escolha;
comportamento humano;
seres humanos quanto à forma como coordenam desejos e vontades, dados os mecanismos de tomada de decisão, os costumes sociais e as realidades políticas da sociedade.
Conclui que a falta de concordância não precisa afetar o assunto tratado pelos textos. Entre os economistas de maneira mais geral, argumenta que uma definição específica apresentada pode refletir a direção em que o autor acredita que a economia está evoluindo ou deveria evoluir.